Vozes III
(baseado nos poemas de Charles Baudelaire)
Sexta-feira à noite
Crise existencial
Quando você se tornou tão chato?
E a sua vida tão sem graça?
E o mundo tão desinteressante
Ridículo é o seu melodrama
As pessoas te observam, é ridículo!
Recolhe os frutos da tua fraqueza de caráter
Que são amargos, mas é obrigatório engolí-los
Quando as cores se transformaram em cinzas?
E os mares se transformaram em olhos?
E o spleen se transformou em vida?
O mundo te pede mais coragem,
E tu? Fazes o oposto,
Afunda em tua covardia!
Vil és como homem!
Quando das curvas do céu voaram anjos,
com espadas em punho
prontos a atacar o demônio que há em ti?
Invocaste para ti o pior dos demônios
E para ele ergueste um altar
Numa encruzilhada, como para Hécate
Tédio é o nome dele
Um demônio que se torna hábito
E todos os dias é cultivado
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