7.10.13

Capas para facebook III

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21.4.13

Capas para facebook II

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14.4.13

Não é real



         E você diz a todo o momento: não é real. Mas é evidente aos sentidos. E está na memória. É como se o inconsciente transbordasse para fora, para a realidade. É a realização de todas as culpas, temores, paranoias... O que antes, você vivia apenas na imaginação, mas com grande afetação psicológica, agora vive também através dos sentidos, o que aumenta a afetação psicológica. E você começa a desconfiar que são apenas delírios.
          E aí você se acostuma a confiar mais na percepção dos outros do que na sua e precisa traçar sua própria história com base, não em suas memórias, mas na que os outros têm de você. Porque para você, seu ser não passa de um fracasso total, um se repulsivo, o qual todos desejam perseguir e agredir. E isso não é real e você deve se convencer de que isso não é real.
         Não é real, mas você vive com medo das pessoas. E com um sentimento de culpa insuportável, por coisas que talvez, nunca tenham acontecido. Começa a pensar em suicídio. Ninguém mais pode perceber seu sofrimento. Mas você se esforça ao máximo para viver normalmente. Trabalha, estuda, sai com os amigos. Entretanto, ainda sente como se houvesse grande ódio por parte de todos por você. E por mais que as pessoas provem que você está errado, parece real.
          E, claro, você continua tendo delírios de que as pessoas falam de você, ou te agridem verbalmente, mas nunca acontece algo que evidencie de uma vez por todas que suas fantasias são reais. E você fica na expectativa constante, por que não dizer, esperança, de que algo aconteça para finalmente provar que você é uma pessoa normal, realmente perseguido e realmente odiado. Contudo, não é real.
          Você lida com isso durante um bom tempo. As pessoas parecem agressivas na sua mente, mas ao mesmo tempo te tratam com atenção, cuidado e gentileza. E então você tem que decidir quais evidências são mais sólidas, através da racionalidade, pois não se pode mais confiar nos sentidos: os delírios, que parecem reais ou a atitude das pessoas em relação a você. Por que alguém lhe perseguiria? Por que todos a sua volta lhe perseguiriam? E você percebe que não há motivo. Você está quase livre, mas ainda tem delírios.
         Nesse ponto você já deve ter concluído que precisa de ajuda. Então, medicamentos diminuem os delírios, mas não os anulam totalmente, muito menos a sensação de perseguição. A terapia trata toda a culpa e os temores, mas é preciso um longo trabalho. Você já tomou consciência de que é muito improvável tudo que fantasiou em sua mente. Entretanto, ainda existe a possibilidade, mesmo que pequena. Nesse caso, com todo o auxílio, contando muito com o apoio das pessoas de quem desconfia, você deve dizer a todo o momento: não é real. E acreditar.

13.4.13

Por que acho o Rothko genial?

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mark_Rothko
http://en.wikipedia.org/wiki/Mark_Rothko
http://www.markrothko.org/
http://www.artexpertswebsite.com/pages/artists/rothko.php
http://comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=38&id=458

          Falarei um pouco de Mark Rothko. Foi um pintor do séc. XX considerado mestre da arte abstrata, apesar de ele rejeitar essa classificação. Se você acha que não o conhece, ele é um pintor que no auge de sua obra, que é a parte mais conhecida dela, pintava em forma de retângulos coloridos. Rothko era considerado uma pessoa irritadiça, mas às vezes, muito afetuosa. Do que conheço de sua obra e biografia, que é pouco (que estudei na faculdade de arquitetura e urbanismo) o considero uma pessoa extremamente sensível.
          Comentarei, justamente, sobre as obras mais conhecidas de sua carreira, outras, bem diferentes, podem ser vistas no 4º link de cima para baixo. A obra de Rothko chega a sua maturidade ná década de 40, em que possui grande interesse pelo o uso das cores e luminosidade. É influenciada pela II Guerra Mundial, em que parece haver um esvaziamento espiritual do ser humano, que para Rothko, deve ser suprido pela arte. Também sofreu grande influência do filósofo Nietzsche. Do 3º link:
     
ROTHKO. Óleo sobre tela, 1949
       "Rothko's interest in luminosity impelled him to paint in watercolor, and in the mid-1940s he produced some extraordinary works using a palette of grays and earth tones, colors he would later use in a powerful series of works executed in the last years of his life. "

        Rothko costumava usar vários tipos de cores nessa época, bem como tons de cinza e preto, em geral, complementando outras cores. Em 1950 sua carreira começa a deslanchar e obtém grande sucesso no meio artístico. A evolução da obra de Rothko iniciou da variedade de cores à tons cada vez mais sombrios no fim da vida. Alguns associam essa mudança na obra ao fato de Rothko sofrer de depressão. Cometeu suicído em 1970. Também do 2º link:

      "The late paintings and the paper pieces are the essence of simplicity. In some, like Untitled (no. 42); Untitled (no. 44); and Untitled (no. 45), the format resembles that of earlier paintings, although the colors are more subdued. In others, such as Untitled (Brown and Gray) and Untitled (Black and Gray), the surfaces are cut in two and surrounded by a narrow white border. The imagery and colors - mostly brown or black with gray - are different from anything the artist had previously attempted; the works are somber but full of clarity."
       
File:No 61 Mark Rothko.jpg
ROTHKO. No. 61 (Rust and Blue). Óleo sobre tela,
115 cm × 92 cm, 1953
Por que acho a obra de Rothko genial?
          Muitos pensam e dizem: "Mas o que há de especial nas pinturas de Rothko?", colocaria mais comentários, mas esse é provavelmente o mais educado, então ficamos só com esse. Rothko foi, ao meu ver, um dos pintores que mais soube utilizar de auto-expressão para fazer arte. E mais, considero que ele influenciou toda uma geração (conscientemente ou não) de artistas de todos os tipos (inclusive músicos, arquitetos e etc.) que decidiram sobrepor a auto-expressão à técnica (não entrarei no julgamento de se isso foi bom ou não).
         Seguiu uma jornada artística para poucos e muito inspiradora: experimentou várias formas de se expressar tentando chegar a que lhe parecesse ideal. E conseguiu. Suas obras, apesar de parecerem simples, mostram que Rothko tinha a sensibilidade, extremamente importante para o artista, de transmitir o que sente. A análise completa de sua obra mostra o retrato de um homem desesperado, durante um período crítico da história da humanidade, no auge do anti-semitismo (Rothko era judeu), em que a arte necessitava, além de sua função política, humanizar o homem, causar sentimentos profundos, completar o espírito humano. Utilizou de auto-expressão, ao mesmo tempo, sensibilizando o outro.
Mark Rothko, ‘Black on Maroon’ 1958
ROTHKO. Black on Maroon. Óleo sobre tela, 2667 x 3812 mm, 1958
        Falando em função política, Rothko foi ao auge de sua carreira durante o pós-guerra, em que ainda havia a sombra do anti-semitismo. Sua arte é um enfrentamento à própria arte, mesmo que talvez, essa não tenha sido a intenção, pois era uma amostra de que o artista tem a liberdade de construir a arte como quer, mesmo que não fosse com técnicas extremamente complexas. Junto da obra de artistas como Pollock e Duchamp, se refletiu em movimentos artísticos posteriores, como a arte conceitual, que busca no aparente vazio de conteúdo, um questionamento sobre o que é arte.
         Atualmente, temos todas as formas possíveis de arte, graças aos enfrentamentos que os artistas promoveram, desde que nasceu a primeira obra de arte. Hoje, o artista tem espaço para se auto-expressar  como quiser, escolher: politizar sua obra ou não, a técnica, o conceito e etc (e naturalmente, receber todo o tipo de crítica). Particulamente, considero muito positivo para a arte essa variedade de artistas, pois gera o questionamento constante do que é arte, questão que talvez jamais será respondida, mas sempre será necessária. E diferente do que muitos pensam, não vejo como uma destruição da arte ou como se tudo irá tornar-se arte. Não se pode definir o que é arte, mas penso que, só se destacará entre tantas obras, aquela que continuar promovendo esses enfrentamentos, seja através da técnica, da auto-expressão, da política ou do que for.
        Por tudo isso, Rothko, com sua contribuição essencial para toda a forma de arte, é para mim, um dos maiores artistas já existentes.

Mark ROTHKO - (1969) Sem título.jpg
ROTHKO. Óleo sobre tela, 1969 (um ano antes de sua morte)

         (Não sou um grande entendido de arte, sou apenas um desenhista que estudou um pouco. Quase tudo que escrevi aqui é opinião pessoal, mas sempre baseado na obra de Rothko. Não recomendo que esse texto seja usado como referência para pesquisa, mas com certeza recomendo que seja usado como forma de reflexão. Minha opinião não é de uma autoridade no assunto e mesmo que fosse, aceito críticas, sugestões e discordâncias. Para quem quiser conhecer mais sobre o Rothko, recomendo os links do texto, bem como livros, como Mark Rothko, A Retrospective, (disponível em inglês nesse link http://www.guggenheim.org/new-york/exhibitions/publications/from-the-archives/items/view/310).


      

Texto de Alexandre Lima Paixão, graduando em Filosofia pelo IFCH/UNICAMP e desenhista.