29.5.12

Coisas que devo fazer para ser um pouco mais feliz:


Fiz a lista o ano passado para 2012. Cumpri uma parte já, mas há ainda uma boa parte a ser cumprida. Queria pedir desculpas pelos post ruins, prometo que logo colocarei um bom texto para vocês lerem.

1. Ouvir menos músicas melancólicas
2. Ser menos tímido
3. Cuidar de mim mesmo
4. Acreditar em mim mesmo
5. Acreditar um pouco mais nos outros
6. Dormir melhor
7. Comer melhor
8. Pensar positivo
9. Perder menos tempo com Facebook, MSN e jogos
10.Reduzir a culpa (me perdoar)
11. Ver o melhor de mim mesmo
12. Ter mais amor próprio
13. Ter (muito) mais coragem
14. Ser menos rancoroso
15. Ser mais sincero
16. Ter novos amigos
17. Ter amigos verdadeiros
18. Fazer mais besteiras
19. Exigir menos de mim mesmo e dos outros
20. Enxergar o melhor das pessoas (inclusive eu mesmo)
21. Parar de me esconder
22. Ser mais espontâneo
23. Ser mais afetuoso
24. Ser mais tolerante
25. Ouvir mais as pessoas
26. Conversar mais com as pessoas
27. Ser mais prático, menos teórico (agir mais)
28. Não sonhar tanto
29. Fazer exercícios físicos
30. Guardar menos os meus erros e dos outros
31. Enfrentar os problemas
32. Persistir mais em projetos
33. Não estar sempre certo
34. Expressar sentimentos
35. Fingir menos
36. Reclamar menos
37. Enfrentar as pessoas, quando necessário
38. Ler mais o que gosto
39. Fazer mais o que gosto
40. Expressar-me melhor (escrever, falar e desenhar)
41. Importar-me com quem se importa comigo
42. Ser menos orgulhoso (admitir meus erros)
43. Evitar discussões desnecessárias
44. Ser mais maduro
45. Ganhar dinheiro com o que gosto
46. Aprender a tocar um instrumento
47. Ser menos egocêntrico
48. Me arriscar mais
49. Não ter medo de ser feliz
50. Amar
51. Cumprir pelo menos uma parte dessa lista esse ano ainda
52. Ser mais atento
53. Exercitar a memória
54. Exercitar a criatividade

18.5.12

Vozes IV


           Loucos, todos loucos. Mas eu não, eu não. Estou aqui nesse lugar sujo porque falam comigo e eu respondo. Há crime nisso? Há? Não! Isso só prova minha sanidade! A culpa não é minha por eles serem tão tagarelas.
           - José, traz água pra mim, traz leite, traz vinho.
           - Cala a boca, inútil, ratos não tomam vinho!
            Por que perder tempo falando com esses doidos? Não podem me entender. São inferiores. Se tivessem higiene ao menos, seriam dignos de uma conversa. Falei... falei que aqui não era lugar para mim, o doutor me ignorou, me chamou de doente e me deixou aqui. Se eu sou doente o doutor que me cure, é o trabalho dele.
           - José, tô sujo, tô feio, tô fedido, tô triste.
           - ô seu imbecil, você é assim, vai morrer assim!
           O doutor me chamou de louco. A Madona me chamou de louco. O presidente me chamou de louco. Tá bem, sou louco. E quem não é? E tem coisa mais absurda que a medicina, a música, a política? E nós não somos iguais por sermos todos loucos?
           - José, acende a fogueira, tá escuro e tô com frio!
           - Não tem lenha aqui, você não trouxe! Agora não amola!
           Se esses energúmenos desgrudassem de mim, ou parassem de falar, eu seria gênio, não doido. Seria mais doutor do que o doutor. É, eu sou gênio. Minha genialidade não pode ficar nesse cubículo sujo com esses encostos. Quando eu sair desse lugar vou mandar o doutor, a Madona e o presidente para um hospital, lá na Amazônia, aí eles vão ver só...
            - José, tome seu remedinho, tome. Tá mais calminho? Você só sai do isolamento quando se acalmar. É bom que seja logo, se não quiser ficar a vida toda nesse escuro. Já tá aí uma semana e não sossega... Olha! Tá todo mijado! Vem, vamo andando, que eu tenho muito o que fazer.

Vozes III

                Vozes III
                (baseado nos poemas de Charles Baudelaire)

                Sexta-feira à noite
                Crise existencial

                Quando você se tornou tão chato?
                E a sua vida tão sem graça?
                E o mundo tão desinteressante
               
                Ridículo é o seu melodrama
                As pessoas te observam, é ridículo!
                Recolhe os frutos da tua fraqueza de caráter
                Que são amargos, mas é obrigatório engolí-los

                Quando as cores se transformaram em cinzas?
                E os mares se transformaram em olhos?
                E o spleen se transformou em vida?
            
                O mundo te pede mais coragem,
                E tu? Fazes o oposto,

                Afunda em tua covardia!
               Vil és como homem!

                Quando das curvas do céu voaram anjos,
                com espadas em punho
                prontos a atacar o demônio que há em ti? 
                
                Invocaste para ti o pior dos demônios
                E para ele ergueste um altar
                Numa encruzilhada, como para Hécate
                Tédio é o nome dele
                Um demônio que se torna hábito
                E todos os dias é cultivado
            

17.5.12

Que poema de Fernando Pessoa é você?


http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/testes/que-poema-de-fernando-pessoa-e-voce.shtml


Resultado
O poeta é um fingidor, Fernando Pessoa (ele mesmo)
“O poeta é um fingidor,
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.”
( “Autopsicografia”; 1930)

Fernando Pessoa dizia de si próprio que era “... um outro, enquanto poeta, outro que usava seu nome, mas não era ele”. Aos amigos, quando perguntavam sobre a vasta (e diversa) produção poética, respondia “... eu não sou ninguém e sou todos eles”. Profundamente ligado à mãe e à pátria portuguesa, Fernando Pessoa não é um tipo melancólico, mas sim romântico. Consciente da musicalidade das palavras, chama os poemas assinados como Fernando Pessoa de “Cancioneiro”. Poeta de dimensão mística, o único livro que publicou em vida recebeu o nome de “Mensagem”, uma tentativa de narrar a História de Portugal a partir do lado oculto.

13.5.12

Willian

              Trecho da história de Willian, ainda inacabada.


             Tudo corria bem, apesar dos últimos acontecimentos. A casa nova era espaçosa e confortável. Willian estava se tratando e logo estaria bem. O pai esperava por isso. Os amigos também. A mãe havia morrido a pouco mais de um ano, foi quando Willian passou a viver com o pai. O pai, que já havia se separado da mãe há uns anos, era sociólogo, mas se dedicava a administrar os negócios da família sozinho, além de dar aulas. Não era o tipo de homem que se diga carinhoso, mas gostava de conversar com Willian, principalmente sobre suas pesquisas. Possuía uma namorada, mas tinha medo de se casar novamente.
             Willian se sentia bastante solitário. Sua doença o fez desconfiar da amizade de todos. Acreditava que as pessoas só se aproximavam dele por pura pena. Era sempre tomado por um sonho enigmático: um homem o erguia e o encostava contra a parede, enquanto uma meia dúzia apontava fuzis para ele e disparavam. Entretanto, os tiros não atingiam Willian, apesar de mirarem contra ele. Durante, todo o sonho, havia uma plateia que batia palmas e ria. Flores nasciam de dentro da parede e o envolviam até quase sufoca-lo, nesse momento ele acordava, suado e com falta de ar. Havia trancado o semestre na faculdade de odontologia, de modo há passar mais tempo com seu pai e facilitar o tratamento. Sentia medo de voltar. Entretanto, esse era o momento em que mais precisaria de coragem.
              A relação com o pai era difícil. Quando conversavam era sempre sobre o mesmo assunto: o trabalho do pai. Sentia falta da mãe. Certa vez o pai lhe disse:
             - Sabe meu pequeno Willian, um dia você irá cair. E eu o erguerei nos meus braços. Um dia faltará ar nos seus pulmões, e eu, retirarei o gás dos meus e colocarei nos seus. Um dia lhe faltarão músculos para carregar o peso da existência e eu cederei a você cada célula dos meus.  E nesse dia você e eu, principalmente, saberemos que as minhas forças não são assim tão limitadas e confiaremos no valor dessas forças e assim estaremos unidos para sempre e como nunca. Acredita?
              “Não acredito”, pensou Willian. Temia o pai. Temia não ter o sucesso do pai na carreira e ter o insucesso do pai no campo dos relacionamentos. Sentia muito de medo de estar só. Mas apesar de tudo, enfrentava sua doença de cabeça erguida. Logo estaria bom. E voltaria a confiar nos amigos e a conviver alegremente com o pai. E logo cresceria e administraria os negócios da família.

12.5.12

Eu

               Houve uma época na minha vida em que não sabia quem era. Não lembrava coisas relativas à personalidade. Coisas como "sou tímido" ou "sou alegre". Também não podia contar com minhas memórias. Nesse momento tinha uma impressão de mim mesmo guiada, principalmente, por uma baixa auto-estima. Por isso fiz uma experiência, perguntei para outras pessoas, que me conheciam, como eu era, o resultado foi esse:
             
                - Eu, segundo eu mesmo (lembrando que estava numa época da minha vida em que me sentia a pior pessoa do mundo)
                Preguiço, arrogante, orgulhoso, insensível, piegas, raivoso, repulsivo, dormir tarde, carente, desmotivado, imaturo.
                 - Eu, segundo os outros (pedi sinceridade para as pessoas)
                 Quieto, tímido, bem humorado, legal, gente boa, introspectivo, mais intelectual do que esportivo, gosto por coisas cultas e obscuras, tenta ser amigável, devagar, assustado, desmotivado, carente, devaneia, influenciável, fechado.
                  Existem períodos da vida em que nosso auto-conhecimento é envolvido por um manto negro, de modo que criamos uma visão distorcida de nós mesmos. Felizmente, existem os amigos para nos abrir os olhos.