Há uma nova dinâmica nas relações humanas. Um curtir no facebook (notem que nem falo mais de orkut), uma mensagem no celular, tudo isso serve para colher restos de afeto hoje em dia. Eu mesmo tenho mais de 200 amigos no facebook, já vi todos (todos? agora não sei) ao vivo pelo menos uma vez. Entretanto conheço pouquíssimos. E pouquíssimos me conhecem, de verdade, como amigos nos conhecem.
Interessante pensar na quantidade de pessoas com quem nos relacionamos e como essas relações se tornaram tão superficiais. Enquanto escrevia haviam 58 contatos online e não conversava com nenhum. A verdade é que não sou a pessoa mais amada do mundo para servir como exemplo, mas vocês entendem o que digo. Espero. Se não entendem, perguntem.
O que digo é o seguinte: as relações estão se reduzindo a metal, plástico e corrente elétrica. As conversas de bar, os abraços nos amigos, eles se reduziram. E por mais que eu não seja o tipo de ser humano mais sociável, sei que esse fenômeno não ocorre só comigo.O fato de se reduzirem não significa que estejam extintas, mas estão reservadas para aquele tipo de amigo mais íntimo, aquele amigo de verdade.
Não sei até que ponto isso é ruim, mas sei que isso cria uma carência de afeto. Sentimos falta de um abraço ou da reunião com os amigos (SENTIMOS, não vou entrar nessa sozinho). Com quantos dos seus "amigos" do facebook você teve uma boa conversa sem o intermédio de telas? Sim, foram poucos. É disso que falo. Essas pessoas recebem o título de "amigos" sem mal nos conhecermos.
Vou confessar, só para vocês, queridos poucos leitores: eu mesmo estou sofrendo desse tipo de carência. Na verdade estou num estágio pior, sou um carente real e virtual. É sentir falta do "curtir" e do aperto de mão. É tentar estar sempre online para ver se alguém fala com você. É querer marcar uma cerveja com aquele indivíduo do seu facebook que você mal conhece. Sei que alguém mais sente o mesmo do que eu. Ou não?
Lançarei minha campanha: conversemos com nossos "amigos" do facebook. Começamos através do teclado, depois passamos a uma conversa ao vivo. Sei que os tímidos vão recuar, porque o teclado é muito mais seguro. Nele você erra e apaga. Também sei que as pessoas nem sempre são receptivas (e como sei). E sei também do risco de parecer carente. Mas vamos tentar. Seria bom para todos. Até para percebemos que aquele "amigo" do facebook, não é tão amigo assim. Ou preferimos ficar com nossos restos de afeto?
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