Willian era um humano sem graça, vivia sozinho num apartamento. Tinha poucos amigos e julgava ser seu mestre Philip III, o melhor deles. Coitado. Philip III vinha de uma linhagem muito nobre de gatos de extrema inteligência. Seu avô, Philip I, conseguiu o feito de visualizar uma cobra camuflada no jardim e mata-la (obviamente ele não era um gato de apartamento). Isso já demonstrava a atenção e a visão contida em seus genes que seriam transmitidas para a próxima geração.
Philip III também desejava um grande feito para marcar seu nome entre toda a nobreza felina. Apesar de ser um gato mimado e de apartamento, era muito observador, logo sentiu a falta da rede de segurança na janela da sala do apartamento, que provavelmente estava em processo de troca, já que Willian estava desesperadamente... ou pateticamente, tentando reinstala-la. E ali nosso amigo felino viu algo mais valioso do que salmão, a liberdade. Prontamente saltou no beiral da janela, assustando o escravo e pulou para o beiral da janela vizinha e da outra e da outra, até parar finalmente na janela de uma moça, dona de um apartamento que cheirava a comida deliciosa. Felizmente, os beirais possibilitaram essa sequência de saltos, caso contrário, não teríamos nosso protagonista.
Enquanto isso, o pobre Willian perseguia seu senhor pelos beirais das janelas do 12º andar e foi de janela e janela, quando finalmente viu seu senhor dentro do apartamento e a moça... a moça que fez seu coração bater mais forte, o suor escorrer pelo rosto, as mãos tremerem e surgir aquele sentimento e, então... ploft. Ou plaft, plift, tum, escolham a melhor onomatopeia para o jovem falecido Willian, ex-escravo de Philip III, o qual, naturalmente, ganhou o título de “O Terrível”, mas não ficou sem servos. Foi adotado por uma doce senhora que gostava muito de gatos e tinha algo em torno de quinze colegas para Philip III.
“Maldita ralé”, pensou o rei Philip III, O Terrível.
Nenhum comentário:
Postar um comentário