7.2.12

Conto melhor do que uma tela que pintei (isso não significa que seja bom)


         Os homens são divididos em duas classes: os que têm paciência para esperar a tinta secar e os que não têm. Eu sou do segundo grupo. Os do primeiro podem ter muito sucesso, pintando telas... ou paredes.
         Por ser do segundo grupo fiquei levemente desconfortável quando utilizei tinta a óleo pela primeira vez e ela demorou “apenas” duas semanas para ficar completamente seca. Além de ter algumas alucinações devido ao uso da terebintina (solvente para pigmentos de tinta a base de óleo, com odor característico), que incluíam: beber como Pollock, achar que perdi a orelha como Van Gogh e sofrer ilusões de ótica como as de Escher. Nada anormal.
         Depois descobri que as alucinações não eram devido à terebintina, mas a um acidente de infância, quando uma das muletas de Dalí caiu sobre a minha cabeça criando uma cicatriz em forma de raio, tal qual a do protagonista de Harry Potter. Felizmente (?) sobrevivi, mas não sem ter ficado levemente e permanentemente maluco.
         Tudo corria mal, até que num belo dia estava andando pela papelaria junto de uma vendedora (de papel) que não sabia o que significava A3 (tamanho de papel) e vi o radiante objeto de meus desejos mais íntimos: secante de cobalto. Serve para fazer com que a tinta seque muito mais rápido (usem pessoal).
          Finalmente, pude começar minha nova tela seguindo a lógica de que: se tenho uma parte de louco, também devo ter uma parte de gênio. Mas o mundo não é assim, de modo que vim com duas partes de louco e nenhuma de gênio e a tela ficou um lixo. Não que eu tenha uma auto-estima muito boa para classificar algo que fiz como bom, enfim, a tela ficou horrível, minha mãe achou linda e eu perdi dinheiro, por isso resolvi escrever esse texto.

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