7.1.12

Nuvens

Texto escrito num dia de muito sol, enquanto eu tentava desenhar uma nuvem. De antes de me tornar estudante de arquitetura, num período que não lembro ao certo qual é, mas em que eu confiava (como confio até hoje) na instabilidade da vida. Era um período que considero de bastante imaturidade, entretanto de muitos sentimentos (como é até hoje). Parece que apesar de tudo que aconteceu nesses últimos tempos, algo de mim ainda permanece.

      O que são nuvens afinal? Não passam de massas de ar. Nesse caso perco meu tempo tentando retratá-las. Mas são mais do que massas de ar, pois sofrem influências de luz e sombra, caso o contrário seria impossível retratá-las. São muito mais.

      Crianças gostam de olhar para as nuvens, porque apesar de não terem forma definida são atraentes ao tato, parecem macias. Algumas visualizam desenhos nelas. A que ponto não chega a imaginação infantil? Por que crescer e suprimir essa imaginação com o pragmatismo do mundo? Por que não olhar para o céu eternamente?

      Entretanto, que são elas afinal? Gases agrupados, nada mais. Eu sou mais do que gases agrupados, nem por isso valho mais do que qualquer nuvem. Imagine o sertanejo então, o qual espera por meses essas massas que predizem as chuvas. Não são para ele as coisas mais importantes do universo? Nesse caso, definitivamente, qualquer nuvem é mais importante do que minha pessoa.  

      A verdade é que para mim elas são essenciais também... Se não fossem não estaria quase em desespero, tentando retratá-las de algum modo. Sim, eu vivo nelas. Todos vivem nelas, pois vivemos construindo castelos nas nuvens. Quem há de negar? É a sina humana. Viver é construir castelos nas nuvens...

     O grande problema de crescermos e começarmos essas obras é que não entendemos o quanto as nuvens são instáveis. Ao primeiro vento e lá se vai minha modelo. E lá se vai o meu castelo. E se são instáveis, por que não paramos de uma vez a construção? Alguém sabe?

     A única certeza é que passamos a vida construindo e reconstruindo. Muitos se ferem ao ver o castelo tão cuidadosamente construído ser destruído tão facilmente. Parecia tão sólido... tão real... tão perfeito... Mas sobre as nuvens, qualquer sólido torna-se frágil ao vento. E não entendemos. Não há erro nenhum em persistir, mesmo porque, parar tornaria a existência insuportável. O difícil e entender... e principalmente, aceitar: devemos construir nosso castelo nas nuvens, sabendo que ao primeiro vento, ele será totalmente destruído. E depois? Reconstruiremos outro e outro e outro... Até o fim...

       (Onde estão essas benditas nuvens quando eu preciso delas?)

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