O que são nuvens afinal? Não passam de massas de ar. Nesse caso perco meu tempo tentando retratá-las. Mas são mais do que massas de ar, pois sofrem influências de luz e sombra, caso o contrário seria impossível retratá-las. São muito mais.
Crianças gostam de olhar para as nuvens, porque apesar de não terem forma definida são atraentes ao tato, parecem macias. Algumas visualizam desenhos nelas. A que ponto não chega a imaginação infantil? Por que crescer e suprimir essa imaginação com o pragmatismo do mundo? Por que não olhar para o céu eternamente?
Entretanto, que são elas afinal? Gases agrupados, nada mais. Eu sou mais do que gases agrupados, nem por isso valho mais do que qualquer nuvem. Imagine o sertanejo então, o qual espera por meses essas massas que predizem as chuvas. Não são para ele as coisas mais importantes do universo? Nesse caso, definitivamente, qualquer nuvem é mais importante do que minha pessoa.
A verdade é que para mim elas são essenciais também... Se não fossem não estaria quase em desespero, tentando retratá-las de algum modo. Sim, eu vivo nelas. Todos vivem nelas, pois vivemos construindo castelos nas nuvens. Quem há de negar? É a sina humana. Viver é construir castelos nas nuvens...
O grande problema de crescermos e começarmos essas obras é que não entendemos o quanto as nuvens são instáveis. Ao primeiro vento e lá se vai minha modelo. E lá se vai o meu castelo. E se são instáveis, por que não paramos de uma vez a construção? Alguém sabe?
A única certeza é que passamos a vida construindo e reconstruindo. Muitos se ferem ao ver o castelo tão cuidadosamente construído ser destruído tão facilmente. Parecia tão sólido... tão real... tão perfeito... Mas sobre as nuvens, qualquer sólido torna-se frágil ao vento. E não entendemos. Não há erro nenhum em persistir, mesmo porque, parar tornaria a existência insuportável. O difícil e entender... e principalmente, aceitar: devemos construir nosso castelo nas nuvens, sabendo que ao primeiro vento, ele será totalmente destruído. E depois? Reconstruiremos outro e outro e outro... Até o fim...
(Onde estão essas benditas nuvens quando eu preciso delas?)
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